TRABALHOS

para contratação do artista.

Web-série e podcast :
Memória da Rabeca Brasileira.

Primeira série podcast inteiramente dedicada à rabeca brasileira, com ensaios antropológicos sobre diversos temas relacionados às culturas, identidades e territorialidades do Brasil. Com trilhas e textos originais do rabequeiro e pesquisador Caio Padilha, a série faz referência aos principais especialistas, discos e livros sobre Música, Cultura e Sociedade, e está disponível no SoundCloud e todas as demais agregadores digitaisde podcast .

E após um ano ininterrupto de episódios originais na primeira temporada de entrevistas ao vivo no Youtube, anuncio a temporada 2021 com oito temas luso-brasileiros relacionados à rabeca. Em coprodução com a violinista Maria Emiliana Silva, que inclusive concluiu seu mestrado na Universidade de Aveiro em 2011, pesquisando antigos "mestres rabequeiros" no norte de Portugal. Com essa parceria inédita, planejamos entre maio e dezembro de 2021, oito episódios que tratam desde a "Rabeca Chuleira" até "A Rabeca nas Coleções Museológicas e Fonográficas Brasil/Portugal". Desse modo, pretendo consolidar pelo menos dois anos de trabalho dedicados à Memória da Rabeca Brasileira, ao convidar nomes relevantes da cultura musical dos dois países, e ao privilegiar nas entrevistas os seguintes aspectos:

  • A música de rabeca nas práticas culturais do Brasil e os intérpretes rabequeiros com trânsito em espaços lusófonos desde o início do século XX.

  • A rabeca brasileira nos espaços sonoros compartilhados que deram lugar a expressões autônomas no folclore brasileiro. 

  • A música de rabeca como um modo de resistência e de dominação estabelecida entre Portugal e o Brasil.

  • Aspectos das oralidades entre rabequeiros que produzem reflexos musicais, poéticos e coreográficos transnacionais em países de mesma língua e vínculo colonizador.

 

Pesquisa:
Núcleo de Estudos Fonográficos (Nuson - UFRJ)

Para a Antropologia, a relação entre som e cultura é fundante para a noção de cultura moderna, incidindo, desde a obra de Franz Boas, em questões do relativismo cultural associadas a formação e condições da percepção, tomando a escuta como
foco sensorial. Não sem razão, um dos primeiros usos dado ao fonógrafo, desde o final do século XIX, é científico, para apreender e registrar os processos musicais, narrativos e a vida conversacional de coletivos e povos diversos.

Diante de tal espectro científico-humanista, de potencial interdisciplinar, elege-se a figura de acento anglo-saxão ‘estudos fonográficos’ como eixo inclusivo e em perspectiva aproximativa e comparativa entre campos e projetos disciplinares de investigação, formação e gestão de acervos sonoros, com atenção ao modo como as representações técnicas de vibrações acústicas podem nos ajudar a entender e registrar múltiplos fenômenos socioculturais e ambientais. As atividades de investigação e reflexão se desdobram e articulam em 4 grandes áreas de atenção etnográfica, analítica e de colecionamento e gestão de acervo que formam suas linhas de pesquisa:

1. Som, sonografia;

2. Música;

3. Fala;

4. Ambiente.

Portanto, sob orientação do professor Edmundo Pereira (Co-editor da Coleção Documentos Sonoros do Museu Nacional), Caio Padilha vem investigando formas de representação da "nacionalidade brasileira" a partir de musicalidades e oralidades poéticas de dois "rabequeiros de boi" no Rio Grande do Norte. Ambos documentados na fase de "missões folclóricas" dos "primeiros intelectuais modernos" do Brasil, no início do século XX.

Trilogia Musical nas Plataformas digitais de Música

 Meus discos lançados em plataformas digitais também possuem forte relação com pesquisas fonográficas, e me renderam convite de apresentação no prestigiado programa Sr.  Brasil, com Rolando Boldrin na TV Cultura em 2016. Informo também ao distinto júri que minha trilogia musical composta pelos álbuns, "Rabecas e Arribaçãs"(2016), "Violas e Veredas"(2019) e "Acordeons e Candeeiros" (2020) fazem citações a diversos trabalhos de etnografias musicais. Na primeira faixa do primeiro disco (2016) ouve-se a inserção de gravação do Cego Oliveira (1912-1997) - rabequeiro da região do Crato, no estado do Ceará. O fonograma foi coletado em campo pelo cineasta Rosemberg Cariry, e lançado entre diversos outros registros das cantorias de rabeca do Cego Oliveira em vinil duplo, no ano de 1992 pelo selo Cariri Discos. 

  Já nas faixas seguintes de meu primeiro álbum, os arranjos musicais diluem gravações de "ambientes sertanejos" que eu mesmo produzi em expedição com o fotógrafo brasileiro Pablo Pinheiro no sertão do Seridó em 2014. Projeto que inclusive resultou posteriormente na exposição fotográfica premiada no 33 Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade - "Nossos Entes: vaqueiro tradicional nordestino" .

  Já no segundo disco (2019) fiz, na primeira faixa, inserções de fonogramas da pesquisa de Pablo Romero entre os Tzotziles de San Pedro Chenalhó - Chiapas (1993 - México). Entretanto predominaram desde sempre na pesquisa subjacente à trilogia musical que produzi, as inserções dos fonogramas de aboios coletados por Mário de Andrade no final da década de 1930. Está presente na "faixa 2" do segundo álbum (2019), por exemplo, o canto dos vaqueiros Pedro Ribeiro, José Luiz, Antonio Luiz da Silva e Raymundo Barbosa, gravados originalmente no dia 16 de maio de 1938, na cidade de Souza - PB. Já na "faixa 4" do mesmo álbum, eu criei arranjos musicais para os aboios incidentais originais gravados pela mesma "missão folclórica" de Mário de Andrade em Rio Branco (PE) - no dia 15 de março de 1938 com os vaqueiros: Manuel de Lima, Justino Bernardo de Almeida e Augusto Gomes. E na "faixa 5" (2019), o ouvinte pode encontrar alguns aboios originais gravados por Mário em Itabaiana (PB), no dia 3 de maio de 1938, e também na cidade de Patos (PB) - com os vaqueiros: José Marcelino Pessoa, Joviniano Floriano da Silva, José Gomes Pereira (Zé Gago), Antônio Mendes, e Joaquim Manoel de Souza (Joaquim Preto). 

  Finalmente, na "faixa 7" de meu segundo álbum (2019), homenageio o trabalho de documentação musical no nordeste brasileiro feito pelo grupo "A Barca", que, no ano de 2004/2005 refez o percurso musical/etnográfico de Mário de Andrade no final dos anos de 1930 e publicado postumamente no livro/diário de campo "O Turista Aprendiz" (1976). 

  Um dos integrantes do grupo "A Barca" - pesquisador e percussionista André Magalhães - está inclusive convidado por mim para participar do projeto "Rabeca Muderna", ao lado do flautista carioca Carlos Malta (Pife Muderno - 1999) para gravação de repertório inédito que deverá ser lançado em 2022, por ocasião das comemorações de centenário da Semana de Arte Moderna no Brasil. Um marco histórico na construção ideológica do nacionalismo cultural brasileiro.

  Por último gostaria de ressaltar ao júri desta seleção de bolseiros as oportunidades anteriores que tive de viajar e viver experiências internacionais no Oriente Médio (onde morei por um ano em Doha/Qatar - 2013), Europa (onde me apresentei artisticamente e ministrei oficinas de rabeca na França/Suiça e Áustria  (2014), por ocasião de prêmios de fomento artístico da Funarte e Ministério da Cultura pelo governo federal brasileiro. Também tive algumas vivências nos Estados Unidos onde me apresentei por 3 anos seguidos (turnês 2015/2016/2017) com o trio "Choro de Lá pra Cá" em diversas cidades americanas. Já em 2018 recebeu o Prêmio Grão de Música na cidade de São Paulo.

Como exemplos recentes e mais relevantes desse envolvimento artístico da última década, cito apenas minha atuação e direção musical no espetáculo "Meu Seridó" que circulou por todo o Brasil (Sesc Palco Giratório - 2019), e no espetáculo "Um Sonho de Rabeca no Reino da Bicharada", também lançado como álbum musical infantil pelo selo Kuarup em São Paulo (2019). Importante salientar que a Kuarup (gravadora e editora) possui em seu acervo a maior coleção de Heitor Villa-Lobos (1887-1959) catalogada no país, além dos principais e mais importantes trabalhos de choro, música nordestina, caipira e sertaneja, MPB, samba e música instrumental em geral.

© 2016 by CAIO PADILHA